quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
AMANHECEU
quarta-feira, 2 de junho de 2010
A criança que não cresceu
sábado, 24 de abril de 2010
POTENCIAL EM MOVIMENTO
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O que muda depois da Páscoa?
sexta-feira, 19 de março de 2010
O irmão do filho pródigo
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Feirantes na igreja
domingo, 24 de janeiro de 2010
Teoria das estruturas espirituais
Ao longo dos nossos estudos sempre nos questionamos se toda a teoria que aprendemos vamos realmente utilizar algum dia. Lembro que umas das primeiras disciplinas do curso de engenharia civil em que percebi que toda aquela conversa se aplicava realmente, e que não era só mais uma matéria sem uso, foi a Teoria das Estruturas. Um conceito muito interessante de estrutura é que ela é “um sistema destinado a proporcionar o equilíbrio de um conjunto de ações, capaz de suportar as diversas ações que vierem a solicitá-la durante a sua vida útil sem que ela perca a sua função” (site da Faculdade de Engenharia civil e Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP). A palavra chave desse texto é equilíbrio. Qualquer estrutura sem equilíbrio pode cair. As Torres Gêmeas de Nova York caíram porque a colisão dos aviões tirou o equilíbrio das suas estruturas. Em 1998, no Rio de Janeiro, o edifício Pallace II caiu porque foi mal dimensionado, e sem equilíbrio acabou caindo.
O dicionário Aurélio trás duas definições muito interessantes, diz que equilíbrio é a manutenção dum corpo na posição normal, sem oscilações ou desvios, que é a igualdade entre forças opostas. Para se dimensionar as vigas e as lajes de uma casa, se pensa em todos os esforços que essas estruturas irão receber e então se dimensiona o tamanho, quantidades de aço e concreto que irão receber. Conhecimento nessa hora é importante, aço e concreto a menos podem tornar as coisas mais fáceis e mais baratas na execução, mas não garantem o equilíbrio da estrutura. Aço e concreto demais também podem tornar tudo muito mais caro e até perigoso, uma laje muito pesada poderá desabar quando receber algum peso ou movimento em cima dela, e lá se vai o equilíbrio. Há um ponto exato onde todos os materiais bem dimensionados garantem que a estrutura vai se manter sem oscilações ou desvios, como disse o Aurélio.
Assim como em todas as casas, prédios e pontes, também existe uma Teoria das estruturas para o nosso espírito. Ou então como iríamos construir os edifícios espirituais (I Pedro 2, 5)? Quando Deus cria um ser humano sobre a face da Terra, ele dimensiona a cada um com um potencial de se tornar o maior e mais estável prédio que possa existir. Infelizmente a cultura em que vivemos, as dificuldades e o pecado acabam por tirar nosso equilíbrio e ao invés de grandes casas acabamos nos tornando barracos que de imponentes não tem nada. Os esforços que a vida nos apresenta, as tribulações pelas quais passamos, as tentações que Deus permite para nos provar, essas são as condições que os edifícios espirituais precisam agüentar firme. Quando vemos tudo isso, nem sempre conseguimos nos manter no ponto central do equilíbrio, acabamos na maioria das vezes nas extremidades, como aquelas condições que falamos logo acima.
Há quem veja todas as condições que a vida propõe e dimensiona seu edifício com pouquíssimo aço e quase nada de concreto. São pessoas que não querem saber de Deus ou da plenitude de vida que Ele tem a oferecer. São amigos nossos que confiam nas suas próprias forças. Somos nós quando abrimos mão da comunhão com Deus e escolhemos qualquer outra coisa que aparentemente dê prazer mais rápido e satisfaça as nossas necessidades. Essa é uma extremidade perigosa.
A outra extremidade são as pessoas que põe em sua construção todo o aço e concreto que puderem, quanto mais melhor. Se cercam de falsas crenças e de conceitos de construção que o grande construtor do universo nunca se utilizou. São amigos nossos que confiam em suas próprias forças pra não errar, são suficientes em si mesmos para não pecar. Somos nós quando temos coisas reprimidas dentro de nós mesmos e acabamos impondo para nós e para os outros algumas leis que aparentemente asseguram um equilíbrio mais rápido e satisfazem nossas necessidades. Essa é uma extremidade ainda mais perigosa, porque na outra situação a noção da distância de Deus é certa, quando se está no fundo do poço só se pode olhar pra cima e a única coisa que se vê é o céu. Quando estamos na extremidade oposta, de fora do poço, então temos muitas coisas ao redor pra olhar e esquecemos de olhar pro céu. Acabamos baseando a santidade naquilo que deixamos de fazer, quando na verdade a santidade vem quando eu faço todas as coisas cada vez mais parecido com Jesus. Um edifício espiritual com aço e concreto demais, com muitas leis de pode e não pode, não agüenta o peso das coisas mal curadas que tem dentro de si, e quando essas coisas entram em movimento, tudo desaba.
Muito se fala em ser do mundo. Muito se ouve em ser radical. Essas são as extremidades, há que se ter cuidado, é muito mais fácil permanecer nelas, o difícil é ter equilíbrio diante de tudo e de todos.
Quando estamos nas extremidades, o centro sempre está preenchido por nós mesmos. Nossas vontades, nossos desejos, nossas necessidades, nossas paixões... Infelizmente o ser humano é muito fraco e instável pra ocupar o centro do universo. Quando estamos vivendo em equilíbrio, Deus é o centro. A vontade e o desejo de Deus são muito melhores, “Ele pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos (Efésios 3, 20)”, a partir daí as nossas escolhas são sempre maduras e sadias. Aprendemos a estender a mão somente para as coisas que convém.
Comece agora a construir a sua vida com equilíbrio e prove hoje mesmo da vida em abundância que Jesus tem pra você.
Um abraço,
Gilberto Monteiro
*dedico esse texto ao meu novo leitor... kkk. Meu batera preferido, Paulo Santi. "É nóis, mano!"
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Desmontando o presépio
Baltazar, Gaspar e Belquior, os três reis do Oriente. Segundo o Pe. Zezinho, “dizem que um é branco, o outro cor de jambo, o outro rei é negro e que vieram ver o novo rei que nasceu igual estrela no céu”*. Independente se eram somente reis ou se eram somente magos, ou se eram as duas coisas, vieram seguindo uma estrela que os levaria ao grande Rei. Em alguns episódios da Bíblia quando reis se encontram, é muito comum a troca de presentes, e com esses reis não foi diferente. Trouxeram três, e a maioria das pessoas sabe quais são: ouro, incenso e mirra.
Desde então essas três pessoas passaram a ser lembradas todos os anos na época do Natal. Suas figuras variam muito a cada presépio montado, mas sempre estão formando o trio com as caixinhas de presente nas mãos. Sabemos que eles “acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho (Mateus 2, 11-
Também fazem parte do presépio os pastores, os anjos, José e Maria, uma manjedoura e alguns animais, na maioria das vezes representados por um burrinho simpático que deveria dormir naquele estábulo. Esse cenário deve ter durado uma noite somente, porque o dia amanheceu, a estrela apagou, os reis voltaram por outro caminho, os pastores retornaram aos campos e os anjos devem ter seguido para diante do trono de Deus. E as outras figuras desse momento, Maria, José e Jesus? Eles foram pra onde depois que todos saíram? Segundo o evangelista Mateus “um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1) – (Mateus 2, 13-15).”
Jesus e seus pais passaram alguns poucos anos no Egito até que Herodes morreu e então voltaram à sua terra. Penso que durante esse tempo no Egito, os presentes dos reis magos foram de grande valia, principalmente o ouro, na compra de mantimentos, hospedagem e outras coisas que demandassem dinheiro durante esse período de exílio. Como no musical Jesus Christ Superstar, de Andrew Lloyd Webber, imagino que a mirra deve ter sido usada por Maria como curativos em Jesus, isso porque a mirra tem propriedades anti-sépticas exploradas até hoje
O tempo passou, o ouro acabou, a mirra gastou e o incenso queimou... Era hora de voltar a Israel. José retomou sua profissão de carpinteiro para sustentar a casa, e com o que recebia devia comprar a mirra que precisasse no caso de algum corte ou machucado. Também com seu trabalho conseguia comprar o incenso que oferecia em adoração a Deus.
Coisa muito comum é a cultura dos presentes no Natal. Sejam os presentes que ganhamos dos familiares ou dos amigos-secretos que fazemos no trabalho. Alguns desses presentes, às vezes, tem uma vida longa, mas a maioria não. Boa parte do que ganhamos tem uma vida útil ou simplesmente acaba. Uma roupa, um perfume, um livro... Mas dezembro sempre chega, e no fim do ano sempre esperamos ganhar presentes de novo.
O presépio verdadeiro foi desmontado a dois mil anos atrás. Os presentes duraram seu tempo. José, Maria e Jesus tiveram que seguir suas vidas, porque os reis não voltaram mais com seus tesouros para presentear Jesus. O presépio nunca mais se repetiu na vida de Jesus. Nenhum rei nunca mais se prostrou diante dele. Os anjos que vieram visitá-lo o alimentaram no deserto e o acompanharam na angústia do Getsêmani, mas não cantaram os mesmos cantos de antes. Os pastores, as pessoas simples que o olharam com amor, gritaram CRUCIFICA-O! Do presépio saiu um homem que de uma vez por todas viveu em plenitude seu destino de fazer presépios na vida de todos aqueles que o conhecessem.
Aquele que segue Jesus sente como se ganhasse uma porção de amor, esperança e coragem a cada Natal. Os presentes auxiliam por um tempo, mas duram o suficiente pra que se cresça em estatura e graça diante de Deus e dos homens, até que a cruz chegue e enfim a glória.
Infelizmente o que mais aontece é que a maioria de nós recebe esses presentes, não os utiliza e depois que percebe que vive sem amor, sem esperança e sem coragem, monta o presépio de novo pra recebê-los mais uma vez. Aquilo que nasce em nós, aquilo que cremos, não muda o que somos. Acabamos não crescendo em estatura, muito menos em graça.
Nesse Natal que passou, o rei que nos visitou foi Jesus e trouxe muitos presentes. Vamos aproveitá-los! Que o próximo Natal nos encontre adultos no que cremos. Fiéis aos que acreditamos. Dedicados aos que amamos. Crescendo...
Ouro, incenso e mirra pra todos nós!
Um abraço,